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Podemos ser amigos de Israel, Irã e o Estado Palestino?

Enviado por Francisco Díaz-Valdés em 12/11/2009 às 08:48 AM

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira, após uma reunião com o presidente de Israel, Shimon Peres, que para construir a paz no Oriente Médio é necessário dialogar com todas as forças envolvidas... o que você acha? Podemos ser amigos de Israel, Irã e o Estado Palestino?

Ao ser questionado sobre o fato de o Brasil se dizer amigo de Israel, mas, ao mesmo tempo, estar se preparando para a visita do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, Lula disse que vai receber o líder iraniano por "uma razão muito simples".

"Você não constrói a paz necessária no Oriente Médio se não conversar com todas as forças políticas e religiosas, que querem paz e que se opõem à paz", disse.

"Ou você transforma o processo de negociação em um clube de amigos em que todos estão concordando com uma coisa e os que discordam ficam de fora, portanto a paz não será possível nunca", afirmou o presidente.

"Não temos veto a conversar com quem quer que seja desde que daquela conversa você extraia uma palavra, ou apenas uma vírgula que possa contribuir para que a gente possa definitivamente construir uma paz duradoura e para sempre no Oriente Médio."

Ahmadinejad, que é considerado um inimigo por Israel, chega ao Brasil no dia 23, menos de duas semanas depois da visita de Peres.

Palestinos

O presidente israelense disse que seu país está feliz por ter a contribuição brasileira no processo de paz e que a maioria dos israelenses apoia a criação de um Estado palestino ao lado de Israel.

Lula disse que o colega, como homem de "larga experiência política" e ganhador do Nobel da Paz (pelos esforços que culminaram na assinatura do Tratado de Oslo, em 1993), "sabe que não haverá paz sem concessões políticas".

"Israelenses e palestinos não devem temer os sacrifícios da paz. Uns como os outros, podem contar com o Brasil para a construção de uma paz cujas repercussões positivas transcenderão as fronteiras do Oriente Médio", disse Lula.

No dia 20, o Brasil vai receber o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas.

Na semana passada, Abbas anunciou que não vai concorrer à reeleição devido à recusa do governo israelense em congelar os assentamentos judaicos nos territórios palestinos.

Depois desse anúncio, Peres apelou mais de uma vez a Abbas para que reconsidere e concorra à reeleição.

Ao ser questionado sobre o tema dos assentamentos, Peres disse que não serão construídos novos assentamentos e que haverá o congelamento dos atuais, exceto nos casos em que filhos dos colonos se casam e pretendem se estabelecer nas terras. Esse é um dos principais pontos do impasse nas negociações.

Peres disse ainda que seu país está pronto "até para uma paz imperfeita" para evitar derramamento de sangue. "A única coisa que estamos pedindo é que haja garantia de segurança", afirmou.

A visita de Peres é a primeira de um chefe de Estado israelense em mais de 40 anos ao Brasil.

Agenda

Nesta quarta-feira, Brasil e Israel assinaram acordos nas áreas de turismo, cinema e cooperação técnica, além de um tratado de extradição.

Peres viaja acompanhado de uma delegação de mais de 40 empresários israelenses que, nesta quinta-feira, deverão participar de um encontro na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

Um dos objetivos da viagem do presidente de Israel é aprofundar as relações econômicas entre os dois países.

Nesta quarta-feira, Lula disse que estão avançadas as negociações para a compra de aviões não-tripulados fabricados em Israel, já sendo testados.

Em São Paulo, Peres também deverá se reunir com o governador José Serra e com representantes da comunidade judaica.

Na sexta-feira, o presidente israelense vai para o Rio, última escala de sua visita oficial de cinco dias, antes de embarcar para a Argentina.

Fonte: BBC Brasil

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Sem dúvida que sim

Enviado por em 12/11/2009 às 03:11 PM
Aloísio da Cidade

Acredito muito na aproximação com estes blocos hegemonicamente (no sentido Gramsciano) marginalizados e criminalizados pelos meios. Me refiro a Palestina e Irã. Não existe algo tal como "eixo do mal" isso é uma grande asneira publicitária que contamina nosso julgamento. 

Na hora de julgar este tipo de posicionamento, cada um tem que se informar bem, em vez de entrar na marola marketeira de quem é do bem e quem é do mal.

O Brasil já se aproximou da África, da América Latina (quer coisa mais absurda que uns anos atrás quando tinha que falar inglês para entrar no Itamaraty mas não espanhol? Cercados de hispanohablantes que estamos em nosso continente?) e acho mais que apropriado fazer uma ponte com estes países esquecidos no embargo midiático do eixo Reuters/AP.

Com relação à Israel, acho mais complicado. As últimas administrações me parecem criminosas, mas não há como negar o vínculo com a comunidade judaica em um país como o Brasil que tem tanta presença desta comunidade, em particular no sudeste.

Só realmente não sei qual a ambição de que o Brasil pode fazer alguma diferença no processo de paz desta turma. Talvez valha mais a pena cuidar da paz em nosso próprio território. Isso é discurso marketeiro, as relações com Israel são sumamente de interesse econômico, é só ver a agenda.


Politica virtual e Poder real

Enviado por em 12/11/2009 às 10:19 PM
Cesar

O Itamaraty fez a opção da esquerda retrógrada, cérebro petrificado ou embalsamado com o corpo alimentado pelo soro fisiológico americanizado. Esse é o contraste da política exterior brasileira, procura ter voz ativa com os governos da esquerda retrógrada da America Latina, com os ditadores africanos. É o líder dos países descamisados. O Lula foi picado pela mosca azul, vislumbra-se com o poder (se pudesse teria o terceiro mandato), gosta de ser cercado por bajuladores, amado por todos,  glorioso quando vence uma disputa.O Lula pode convidar o Dr Fausto e o Mefisto para um acordo. Lembra Irã, Israel e Palestina.

Mas o mundo real exige poder de fato  (militar, industrial, etc) e o Brasil lembra muito o leão de circo, velho, tem de alegrar todo mundo, banguelo, morde mas não incomoda.

César


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