
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira, após
uma reunião com o presidente de Israel, Shimon Peres, que para
construir a paz no Oriente Médio é necessário dialogar com todas as
forças envolvidas... o que você acha? Podemos ser amigos de Israel, Irã e o Estado Palestino?
Ao ser questionado sobre o fato de o Brasil se dizer amigo de
Israel, mas, ao mesmo tempo, estar se preparando para a visita do
presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, Lula disse que vai receber o
líder iraniano por "uma razão muito simples".
"Você não constrói a paz necessária no Oriente Médio se não
conversar com todas as forças políticas e religiosas, que querem paz e
que se opõem à paz", disse.
"Ou você transforma o processo de negociação em um clube de
amigos em que todos estão concordando com uma coisa e os que discordam
ficam de fora, portanto a paz não será possível nunca", afirmou o
presidente.
"Não temos veto a conversar com quem quer que seja desde que
daquela conversa você extraia uma palavra, ou apenas uma vírgula que
possa contribuir para que a gente possa definitivamente construir uma
paz duradoura e para sempre no Oriente Médio."
Ahmadinejad, que é considerado um inimigo por Israel, chega ao
Brasil no dia 23, menos de duas semanas depois da visita de Peres.
Palestinos
O presidente israelense disse que seu país está feliz por ter a
contribuição brasileira no processo de paz e que a maioria dos
israelenses apoia a criação de um Estado palestino ao lado de Israel.
Lula disse que o colega, como homem de "larga experiência
política" e ganhador do Nobel da Paz (pelos esforços que culminaram na
assinatura do Tratado de Oslo, em 1993), "sabe que não haverá paz sem
concessões políticas".
"Israelenses e palestinos não devem temer os sacrifícios da
paz. Uns como os outros, podem contar com o Brasil para a construção de
uma paz cujas repercussões positivas transcenderão as fronteiras do
Oriente Médio", disse Lula.
No dia 20, o Brasil vai receber o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas.
Na semana passada, Abbas anunciou que não vai concorrer à
reeleição devido à recusa do governo israelense em congelar os
assentamentos judaicos nos territórios palestinos.
Depois desse anúncio, Peres apelou mais de uma vez a Abbas para que reconsidere e concorra à reeleição.
Ao ser questionado sobre o tema dos assentamentos, Peres disse
que não serão construídos novos assentamentos e que haverá o
congelamento dos atuais, exceto nos casos em que filhos dos colonos se
casam e pretendem se estabelecer nas terras. Esse é um dos principais
pontos do impasse nas negociações.
Peres disse ainda que seu país está pronto "até para uma paz
imperfeita" para evitar derramamento de sangue. "A única coisa que
estamos pedindo é que haja garantia de segurança", afirmou.
A visita de Peres é a primeira de um chefe de Estado israelense em mais de 40 anos ao Brasil.
Agenda
Nesta quarta-feira, Brasil e Israel assinaram acordos nas áreas
de turismo, cinema e cooperação técnica, além de um tratado de
extradição.
Peres viaja acompanhado de uma delegação de mais de 40
empresários israelenses que, nesta quinta-feira, deverão participar de
um encontro na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).
Um dos objetivos da viagem do presidente de Israel é aprofundar as relações econômicas entre os dois países.
Nesta quarta-feira, Lula disse que estão avançadas as
negociações para a compra de aviões não-tripulados fabricados em
Israel, já sendo testados.
Em São Paulo, Peres também deverá se reunir com o governador José Serra e com representantes da comunidade judaica.
Na sexta-feira, o presidente israelense vai para o Rio, última
escala de sua visita oficial de cinco dias, antes de embarcar para a
Argentina.
Fonte: BBC Brasil













Sem dúvida que sim
Acredito muito na aproximação com estes blocos hegemonicamente (no sentido Gramsciano) marginalizados e criminalizados pelos meios. Me refiro a Palestina e Irã. Não existe algo tal como "eixo do mal" isso é uma grande asneira publicitária que contamina nosso julgamento.
Na hora de julgar este tipo de posicionamento, cada um tem que se informar bem, em vez de entrar na marola marketeira de quem é do bem e quem é do mal.
O Brasil já se aproximou da África, da América Latina (quer coisa mais absurda que uns anos atrás quando tinha que falar inglês para entrar no Itamaraty mas não espanhol? Cercados de hispanohablantes que estamos em nosso continente?) e acho mais que apropriado fazer uma ponte com estes países esquecidos no embargo midiático do eixo Reuters/AP.
Com relação à Israel, acho mais complicado. As últimas administrações me parecem criminosas, mas não há como negar o vínculo com a comunidade judaica em um país como o Brasil que tem tanta presença desta comunidade, em particular no sudeste.
Só realmente não sei qual a ambição de que o Brasil pode fazer alguma diferença no processo de paz desta turma. Talvez valha mais a pena cuidar da paz em nosso próprio território. Isso é discurso marketeiro, as relações com Israel são sumamente de interesse econômico, é só ver a agenda.