por Tatiana de Mello Dias - Estadao.com.br
Quais são as principais dificuldades em inclusão digital no Brasil?
É
difícil promover inclusão digital quando se trabalha com uma população
de mais de 190 milhões de habitantes em um país com desigualdade de
renda e proporções continentais, em que a infraestrutura de
telecomunicações ainda está bastante concentrada.
Como levar conexão de qualidade aos apagões?
Não
é possível falar de solução única. Grande parte das soluções passa por
incentivos regulatórios, mas também é preciso discutir o papel do
Estado nesse processo para além da questão regulatória – seja por meio
de seu poder de compra, de investimentos diretos ou de financiamento de
soluções.
Há inclusão sem banda larga?
Não.
Trabalhamos com o conceito de que a inclusão digital representa a
possibilidade de o cidadão de dispor de meios e capacitação para
acessar, utilizar, produzir e distribuir informações e conhecimento. E
participar da sociedade do conhecimento tem como condição essencial
estar conectado em rede e, mais ainda, ser capaz de produzir e acessar
conteúdos por meio dela.
Os programas de inclusão digital eram direcionados a
projetos de acesso coletivo, como banda larga em escolas e telecentros.
Por que nesse momento está se falando em planos populares ?
Uma
medida não exclui as demais. Precisamos ampliar o número de cidadãos
que têm acesso domiciliar, mas também seria ingenuidade acreditar que
vamos conseguir atingir o universo da população com conexões
individuais. Além do mais, a banda larga nas escolas e nos telecentros
tem outro papel que é a qualificação das pessoas e a apropriação da
tecnologia enquanto fonte de lazer e cidadania. Não podemos deixar de
falar nas lan houses também, que representam cerca de 50% dos acessos à
internet. É preciso discutir a qualificação desse importante
instrumento de inclusão digital.
Dá para pensar, no futuro, em acesso à banda larga como já temos hoje com gás e telefone?
Na
medida em que acreditamos na inclusão digital como um direito do
cidadão, não é possível pensar diferente. É claro que o desafio é
enorme e ainda há muito para percorrer. Em serviços essenciais como
energia elétrica, mesmo com o êxito do Programa Luz para Todos, ainda
há excluídos. Mas um bom exemplo de meio de comunicação já bastante
disseminado é a televisão, e a TV digital terá um importante papel na
democratização do acesso à informação.












Utopia social
A inclusão social no Brasil visa mais a política (votos) do que realmente ter uma política publica de educação. A maioria da população é analfabeta, existe o analfabeto funcional (pensa que sabe mas não sabe), mas o que ele vai fazer com o computador? O governo também pensa também oferecer celular? Veja o protótipo do cidadão brasileiro , moradia, som, TV, computador e celular, mas não sabe escrever, não sabe pensar e interpretar texto, não sabe as operações básicas de aritmética, prá quê? Vai catando milho no teclado do computador. O celular é status, com mais pafernália eletrônica melhor? Vai adquirir informações, mas as informações são passageiras e o conhecimento não fica. Pelo jeito o Brasil criará o primeiro humanóide, essencialmente humano, com limitações na arte do saber e do conhecimento.
César