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Entrevista: Cezar Alvarez, Coordenador dos programas de inclusão digital do governo federal

Enviado por Francisco Díaz-Valdés em 17/11/2009 às 12:33 PM
por Tatiana de Mello Dias - Estadao.com.br

Quais são as principais dificuldades em inclusão digital no Brasil?
É difícil promover inclusão digital quando se trabalha com uma população de mais de 190 milhões de habitantes em um país com desigualdade de renda e proporções continentais, em que a infraestrutura de telecomunicações ainda está bastante concentrada.


Como levar conexão de qualidade aos apagões?
Não é possível falar de solução única. Grande parte das soluções passa por incentivos regulatórios, mas também é preciso discutir o papel do Estado nesse processo para além da questão regulatória – seja por meio de seu poder de compra, de investimentos diretos ou de financiamento de soluções.


Há inclusão sem banda larga?
Não. Trabalhamos com o conceito de que a inclusão digital representa a possibilidade de o cidadão de dispor de meios e capacitação para acessar, utilizar, produzir e distribuir informações e conhecimento. E participar da sociedade do conhecimento tem como condição essencial estar conectado em rede e, mais ainda, ser capaz de produzir e acessar conteúdos por meio dela.


Os programas de inclusão digital eram direcionados a projetos de acesso coletivo, como banda larga em escolas e telecentros. Por que nesse momento está se falando em planos populares ?
Uma medida não exclui as demais. Precisamos ampliar o número de cidadãos que têm acesso domiciliar, mas também seria ingenuidade acreditar que vamos conseguir atingir o universo da população com conexões individuais. Além do mais, a banda larga nas escolas e nos telecentros tem outro papel que é a qualificação das pessoas e a apropriação da tecnologia enquanto fonte de lazer e cidadania. Não podemos deixar de falar nas lan houses também, que representam cerca de 50% dos acessos à internet. É preciso discutir a qualificação desse importante instrumento de inclusão digital.


Dá para pensar, no futuro, em acesso à banda larga como já temos hoje com gás e telefone?
Na medida em que acreditamos na inclusão digital como um direito do cidadão, não é possível pensar diferente. É claro que o desafio é enorme e ainda há muito para percorrer. Em serviços essenciais como energia elétrica, mesmo com o êxito do Programa Luz para Todos, ainda há excluídos. Mas um bom exemplo de meio de comunicação já bastante disseminado é a televisão, e a TV digital terá um importante papel na democratização do acesso à informação.

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Utopia social

Enviado por em 18/11/2009 às 10:56 PM
Cesar

A inclusão social no Brasil visa mais a política (votos)  do que realmente ter uma política publica de educação. A maioria da população é analfabeta,  existe o analfabeto funcional (pensa que sabe mas não sabe), mas o que ele vai fazer com o computador? O governo também  pensa também oferecer celular? Veja o protótipo do cidadão brasileiro , moradia, som, TV, computador e celular, mas não sabe escrever, não sabe pensar e interpretar texto, não sabe as operações básicas de aritmética, prá quê? Vai catando milho no teclado do computador. O celular é status, com mais pafernália  eletrônica melhor? Vai adquirir informações, mas as informações são passageiras e o conhecimento não fica. Pelo jeito o Brasil criará o primeiro  humanóide, essencialmente humano, com limitações na arte do saber e do conhecimento.

César


Convergência, Informação e Conhecimento

Enviado por em 20/11/2009 às 11:40 AM
Celo

A prioridade do acesso à internet deveria ser vinculada ao processo educativo. Os telecentros acabam competindo com a escola como centros de convergência comunal, educação e entretenimento, enquanto a escola continua sucateada. 

Proponho a convergência de programas com fins educacionais para que não fique apenas o acesso à informação como se fosse a solução da cidadania, e sim, a informação com a capacidade crítica, interpretativa, que a torna valiosa moeda de exercício da individualidade e coletividade na sociedade.

Segue um trecho de um texto de Sócrates, sobre a resposta do Rey Thamus do Egito, à Toth, quando este último apresenta sua invenção: a escrita.

“Those who acquire it will cease to exercise their memory and become forgetful; they will rely on writing to bring things to their remembrance by external signs instead of by their own internal resources. What you have discovered is a receipt for recollection, not for memory. And for wisdom, your pupils will have the reputation for it without the reality: they will receive a quantity of information without proper instruction, and in consequence be thought very knowledgeable when they are for the most part ignorant. And because they are filled with the conceit of wisdom instead of real wisdom they will be a burden to society.”


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