
O Instituto Estadual do Ambiente do Rio de Janeiro (Inea) divulgou que a Pousada Sankay, um dos locais atingidos pelos deslizamentos na Ilha Grande no dia 1º, não possuía autorização ambiental.
A informação foi dada pelo órgão estadual na terça-feira. De acordo com a superintendência regional do Inea, parte dos imóveis localizados na Ilha não têm sua situação regularizada.
Entretanto, o Instituto informou que a licença ambiental, que pode ser obtida por qualquer imóvel que atenda a uma série de exigências, tivesse sido dada para a Pousada Sankay, o trágico resultado não seria evitado.
Na madrugada do dia 1º, devido às fortes chuvas que caíam, houve um deslizamento no morro na região na Praia do Bananal na Ilha Grande. Parte da Pousada foi soterrada, e três pessoas morreram. Os deslizamentos na região ainda causaram a morte de outras 28 pessoas.
A pousada Sankay, que foi soterrada na madrugada desta sexta-feira (1º) em decorrência das fortes chuvas no Rio de Janeiro, se localiza na enseada do Bananal, na Ilha Grande, em Angra dos Reis. Inaugurada em 1994, seu quarto mais caro custava R$ 490 por pessoa na alta temporada.
Além deste quarto, o local oferecia outros quatro estilos de apartamentos que custavam entre R$ 350 e R$ 235 por pessoa na alta estação. Todos apresentavam varandas e, em sua maioria, ficavam de frente para o mar. A pousada ainda trabalhava com pacotes para hospedagem de até seis pessoas nos maiores quartos e de até quatro nos apartamentos menores...
Donos da Pousada Sankay dizem viver 'pesadelo'
Os donos da Pousada Sankay disseram em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, que estão vivendo um pesadelo e ainda não sabem o que vai acontecer daqui pra frente. Eles perderam a única filha, Yumi Imanishi Faraci, de 18 anos, no soterramento.
A mãe de Yumi, Sônia Imanishi Faraci, disse que vive à base de remédios para suportar a perda da filha. "Ela foi uma menina prodígio. Nunca tive problemas com ela. Comemorava a vida. Ela tinha muitos planos." Sônia disse que ela própria alfabetizou Yumi. "É um privilégio para uma mãe poder criar a filha ao lado", afirmou ao contar sobre a mudança de Belo Horizonte para Angra dos Reis, quando a filha tinha apenas 4 anos.
Sônia contou que há muito tempo disse à filha e ao marido, Geraldo Faraci, que queria ser cremada quando morresse e suas cinzas fossem jogadas ao mar. Na ocasião, pediu à Yumi que tocasse a música 'Tears In Heaven', de Eric Clapton. "Eu achava a música bonita", explicou a mãe. A mãe conta que quando escolheu a canção não pensava no significado dos versos, que perguntam: "Você saberia meu nome, se eu o visse no Paraíso?". A canção foi escrita pelo cantor, em 1992, após a morte do filho, ainda criança.
O pai da jovem disse que depois que escutaram o estrondo, estava tudo muito escuro e alguém gritou que havia gente na parte debaixo da pousada. "A Yumi estava em baixo de tudo. Tive de tirar primeiro quem estava com vida", lembrou o pai, Geraldo.
No final da entrevista, Geraldo leu um papel que chamou de "coisas da Yumi", pois sintetizaria o que a filha dizia no dia-a-dia: "Quando sentirem saudades de mim, respirem, pois estou presente no ar. Quando sentirem saudades de mim, mergulhem, pois estou presente na água." Depois, ele mandou uma mensagem para os amigos da filha. "Quem quiser lembrar da Yumi não precisa ir ao caratê, nem ao shopping que ela tanto gostava , nem à escola de arquitetura. Quem quiser lembrar da Yumi, bote a mão no coração, que ela está no coração de cada um."












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