
Eles perderam suas casas e uma parte de amigos e parentes em menos de um minuto e agora vagam pelo centro de Porto Príncipe, que virou um grande campo de refugiados, onde milhares de flagelados gritam ao mundo pedindo água, comida e medicamentos. (veja imagens)
"O Haiti voltou a ser hoje um povo que não conhece os finais felizes",
lamenta Milien Roudy, deitado num jardim destruído, e acompanhado de
sua esposa e duas filhas, que não comem há 24 horas.
Milhares de
pessoas sem teto se reuniram na noite de terça-feira na conhecia
avenida dos Campos de Marte de Porto Príncipe, cujas praças e jardins
se viram inundadas por uma enxurrada de famílias à espera de ajuda.
Sujos,
feridos e desesperados, os haitianos improvisaram toldos com pedaços de
tecido coloridos para se proteger e olham insistentemente para o céu à
espera de aviões que venham socorrê-los e ajudá-los a começar do zero.
Unidos pela desgraça, contam suas histórias que, no fundo, é apenas
uma: a casa se afundou debaixo de seus pés, uma parte da família se
salvou por milagre e alguns de seus entes queridos, não. Assim o tempo
parece passar mais rápido.
"Se a comunidade internacional quiser
ajudar o Haiti realmente, deveria nos dar dinheiro diretamente e não ao
governo", afirma James, que tenta organizar um acampamento familiar de
quase 50 pessoas, e sofre a falta da irmã de 6 anos, sepultada ainda
nos escombros de sua casa.
Com a ajuda de seus irmãos, este
jovem estudante de 21 anos saqueou um supermercado para conseguir arroz
e água e está racionando as porções com muito cuidado, ante o olhar
desesperado de outras famílias, que, pela segunda noite consecutiva,
não terão o que comer.
"Em mais de 24 horas, ninguém, nem a ONU,
nem nenhuma autoridade veio nos dar um copo de água", protesta o
funcionário público Clement.
A avenida tem um cheiro
insuportável de pó e urina e, com as horas e o forte calor, a situação
só piora. Algumas pessoas estão bebendo água poluída das fontes
públicas.
"Temos um grande peso na alma. Não sabemos o que dizer a nossos filhos", explica Marie Denise, mãe de quatro crianças.
Uol.com.br













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