Muitos reclamam que em quatro anos não se constrói um país, não se muda nada, mal se consegue estruturar para que o time funcione e já chegam as próximas eleições. Bom, para começo de conversa, os mandatos oscilaram entre 4 (Aylwin e Bachelet) e 6 anos (Frei e Lagos). O que dizer do mandato acumulado de 20 anos? Não é suficiente? Quais são as amarras? Não há vontade política?
E o que isso tudo tem a ver com o Brasil?
Veja o artigo completo no Correio da Cidadania














fracasso da esquerda
O grande problema da America Latina, ela não concebe os fundamentos de um país como estável, sempre deve ser um laboratório de idéias revolucionárias. Esse é o grande problema da esquerda, ela traz no seu DNA, o confronto de idéias, entre ricos e pobres. Joãozinho Trinta, o carnavalesco, disse uma verdade, o pobre gosta de luxo. O que a esquerda faz com a pobreza? Oferece o assistencialismo que perpetua a pobreza, que pode ser interessante para essa classe dominante política. O lema principal da esquerda é confronto social e não tem interesse minimizar esse confronto, oferecendo opções ao pobre; educação, planejamento familiar ( controle de natalidade é um tabu tanto para esquerda, direita, religião), saúde e trabalho. Vivemos num mundo em que a relação capital e trabalho mudaram. O exército de mão de obra excedente que antigamente cobria o crescimento econômico, hoje não há essa necessidade, as empresas cada vez mais necessitam menos de mão de obra para produzir um produto.
Antigamente uma indústria automobilística necessitava quase 15 mil funcionários para produzir carros, hoje, necessita apenas três mil para produzir muito mais carros O que a esquerda quer de reforma estrutural? Reformar a constituição e deixar como se fosse uma constituição popular, relativista.? Oferecer mais assistencialismo aos pobres, sem ao menos exigir retorno, como se diz , mais impostos, mais inclusão social.
Veja o caso da Zilda Arns, com pouco recurso procurava ajudar os pobres com efeito multiplicador de pães, não via o pobre como se fosse um projeto assistencial, como a maioria dos políticos enxergam, e sim como uma forma de capacitar, desenvolver o pobre dentro de sua limitação de recursos disponíveis. Não tinha nenhum ranço de ideologia.
A Concertación deveria transformar em partido único, pois os integrantes desses partidos com 20 anos de poder, perderam as essências políticas de cada partido integrante. Eles fizeram um pacto com Dr Fausto e não sabe como desatar o nó.
Nesse artigo o próprio jornalista faz o jogo de confronto de idéias, demonstrando sua opção política pela esquerda, insinuando que a direita não tem competência, e que os ricos são direitistas. Mas a esquerda também tem seu cluster de ricos. A análise do jornalista não é imparcial. Segundo o principio de incerteza de Hersenberg, tudo o que é observado, é modificado pela presença do observador. Os fatos mudam a depender de quem os está interpretando. A essência da democracia é a oxigenação do poder, caso contrário, vira uma demoditadura.
Democracia vs mudança
Peço liçenca aos leitores para um comunicado de interesse geral dirigido ao autor do comentário acima.
César: você pode ter as diferenças políticas e ideológicas que quiser comigo e com os outros membros desta comunidade, mas você não deveria desqualificar qualquer participante deste site, por exemplo vomitando academicismos como se fosse suficiente para justificar os argumentos superficiais (se você quis fazer referência ao princípio quântico, o nome é Heisenberg). Sugiro que revise o último parágrafo de seu comentário, ataques pessoais não tem nada a ver com o espírito desta comunidade nem com a democracia em nenhum sentido. Qualquer outra crítica é bem vinda, desde que com respeito e fundamento. E não com um ressentimento anti-esquerda cuja a origem, não compreendo.
Agradeço que tenha lido meu artigo, e sugiro reler o mesmo sem preconceitos. As críticas do artigo são muito mais direcionadas à esquerda (chilena e brasileira) e para a ditadura chilena (que, convenhamos, transcende a idéia de direita e esquerda) que para a direita propriamente dita, por isso seu comentário me pareceu fora do contexto.
Continuando o debate, o Correio da Cidadania, onde foi publicado o artigo, é um jornal de contestação crítica, visão humanista e sem vínculos comerciais, o que lhe confere independência editorial (veja mais aqui). O que é diferente da tradição dos meios de direita que se defendem como donos da verdade e imparciais, mas que têm vínculos empresariais e políticos reiteradamente denunciados - esses sim caindo em princípios bem mais simples que o supracitado, o princípio do mercado: se o cara me dá dinheiro, não vou falar mal dele e vice-versa. Se a consequência disto é uma visão socialista, esquerda etc., isso são conjunturas históricas (tomara que um dia estas ideias sejam de direita no Brasil e no mundo, ou seja, estejam no poder) e resultado de reflexão.
Sobre a Concertación, tirando a ironia sobre Dr Fausto, você tem razão: a coisa dos "pactos" políticos virou patológica e os partidos já não têm representatividade concreta e segmentada, é uma espécie de prostituição dos ideais políticos por um cargo no governo. Por outro, é evidente que seria mais saudável para a democracia (para o lado que for) o fim do sistema binominal. Evitaria justamente estas alianças sem sentido que prejudicam o debate político e o antagonismo (inclusive no âmbito da direita também), resultando em um cabo de guerra entre quem tem mais amigos... A direita tem o mesmo problema: a UDI está desesperada com Piñera e se explodir esse desalinhamento, provavelmente não sobrará pedra sobre pedra para a sucessão presidencial daqui a 4 anos.
Mudança por mudança eu discordo. Para haver oxigenação do poder não creio que seja necessário alterar os líderes, os partidos, e sim que os partidos e líderes mantenham-se como representação ótima do povo. Se eles continuam se elegendo, é porque estão atendendo ao eleitorado. O que pode prejudicar este processo, tanto para um como para outro lado, são problemas como falta de transparência dos processos eleitorales, desinformação e mau acesso à informação, falta de educação e cultura política, leis antidemocráticas (como o Patriot Act dos EUA) e tantos outros elementos que perturbam (a) o juízo crítico para a decisão ou (b) o processo eleitoral. Senão o argumento do "cambio" - a atual bandeira da direita chilena, do El Mercurio entre outros - é um parnasianismo: mudança pela mudança; argumento vazio de sentido político, ilusão de democracia por uma associação ilícita (ilícita do ponto de vista intelectual) de ideias. A mudança é um dos mecanismos da democracia, mas não um de seus fundamentos. Seja para a direita, para a esquerda ou para lado algum.