O sinal da Rádio Caracas Televisão (RCTV) voltou a desaparecer das
telas à zero-hora de domingo. Proibida em maio de 2007 pelo governo
venezuelano de Hugo Chávez de continuar usando o sinal aberto, a
emissora passou a transmitir sua programação por cabo e manteve boa
parte de sua grande audiência. No sábado, porém, desobedeceu a uma
ordem do governo para integrar-se a uma cadeia nacional convocada por
Chávez para transmitir parte de seu discurso para uma multidão de
manifestantes chavistas que lhe demonstravam apoio.
Na semana
passada, a Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel) havia
determinado que a RCTV e outras emissoras por cabo consideradas
"nacionais" deveriam transmitir mensagens do governo. A RCTV recorria
da decisão na Justiça e recusou-se a integrar a cadeia no sábado. Foi o
pretexto ideal para que, pouco depois, por volta das 21 horas (23h30 de
Brasília), o diretor da Conatel e ministro de Obras Públicas, Diosdado
Cabello, exigisse das operadoras de TVs por assinatura que tirassem de
sua grade os canais que não cumpriam com as normas ditadas pelo órgão.
Não mencionou especificamente nenhuma emissora. Além da RCTV, saíram da
grade das operadoras os canais American Network, América TV, Ritmo Son,
TV Chile e Momentum.
Como em maio de 2007, a revolta tomou conta
dos 1.500 funcionários da RCTV depois que a emissora saiu do ar. Muitos
deles se dirigiram à sede da Conatel para protestar. Ainda organizados
após a gigantesca marcha contra as medidas de Chávez, grupos de
estudantes e militantes de partidos da oposição juntaram-se à
concentração dos funcionários da RCTV. Em Maracaibo, no oeste do país,
pelo menos quatro pessoas ficaram feridas em um protesto contra o
fechamento da emissora.
"Estamos diante de mais um atropelo da
liberdade de expressão por parte do chavismo", disse ao Estado Yani
Roque, militante do partido de oposição Primeiro Justiça. "Deixamos
claro na marcha de sábado que não nos renderemos à ditadura de Chávez."
Presidente
do grupo ao qual pertence a RCTV, Marcel Granier disse em conversa com
jornalistas que não sabe qual será o futuro da emissora. "Isso já não
depende de nós", afirmou. Granier acrescentou que a decisão da Conatel
é ilegal, pois a sede formal da RCTV funciona em Miami. "Tínhamos
impetrado um mandado de efeito suspensivo para a portaria da comissão
porque a RCTV é uma emissora internacional, o que a desobriga de
submeter-se às transmissões do governo." A portaria da Conatel, porém,
estabelece como "nacional" toda empresa de divulgação audiovisual que
produza mais de 60% de sua programação em território venezuelano.












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